quinta-feira, 19 de novembro de 2015

AINDA INDIGNADO...

ESCREVI ESTA CRÔNICA NO INÍCIO DE 2010,
MAS ELA É SEMPRE ATUAL. 
NA VIRADA DE 2015 PARA 2016, COM TODO ESTE MAR DE CORRUPÇÃO, VIOLÊNCIA E LAMA, O TEMA PERMANECE BEM VIVO.
ESPERO QUE VOCÊ TAMBÉM ESTEJA MUITO INDIGNADO...
A palavra soa estranha, pois indigno significa: aquele que não tem dignidade. Mas indignar-se quer dizer exatamente o contrário; ou seja, ter tanta dignidade a ponto de ficar profundamente aborrecido com a indignidade alheia.
Indignar-se significa importar-se. Seria tão bom se as pessoas se importassem mais com as coisas que estão ao seu redor. Parece que o importar-se confundiu-se com a futilidade. As pessoas se importam se você estiver sem roupas, se importam se você for pobre, se importam se você não professar a mesma religião que elas, se importam se você não tiver a mesma cor de pele que elas, se importam se suas preferências sexuais forem diferentes das delas, se importam se seu carro for mais novo e possante do que os delas, se importam se sua roupa for mais bonita do que a delas, se importam se você tiver mais coragem do que elas para ser quem você é. E aí se importam muito.
Mas isso me deixa indignado. Assim como tantas coisas que sei que não posso fazer muito para mudar, mas também sei que minha parte, muito importante assim como a sua, é não igualar-me pelo descaso, a preguiça, o medo ou a comodidade.
Não posso acabar com a miséria no mundo, nem com a causa dela, a opressão da ganância dos poderosos; mas posso confessar-me indignado com ela, e não tornar-me conivente com tal sistema.
Não posso tornar minha cidade mais limpa, talvez nem convencer toda a população a não sujá-la, na verdade não vou nem sair por aí recolhendo lixo; mas nunca vou atirar meu lixo fora do local apropriado, e vou chamar a atenção de meus amigos para isso e continuar indignado pela sujeira das ruas, parques e praças públicas.
Não posso convencer o mundo a aceitar minha nudez, ou as razões que me fazem sentir melhor vivendo assim; mas posso aceitar a nudez de todos que assim preferirem estar, e indignar-me pelo preconceito dos pobres de espírito que insistirem em distorcer meu ideal.
Não posso acabar com a violência no mundo, até porque suas causas estão fortemente radicadas aos dois extremos da pirâmide social; mas posso indignar-me e entristecer com as notícias tão alarmantes e muitas vezes horrorosas, assim como não praticar a violência, estimular meus amigos a fazer o mesmo e escolher melhor meus eleitos para que estes tomem atitudes positivas.
Não posso criar uma consciência civil e ecológica na humanidade, se Deus a fez assim há de haver uma razão; mas posso indignar-me pelo descaso e fazer a minha parte. E a parte de cada um é pura e simplesmente agir de acordo com sua consciência, sendo apenas natural.
Há quem defenda a idéia de que o princípio do Naturismo, de respeito do indivíduo ao seu próprio corpo, seja confundido com o princípio do Naturalismo; ou seja, respeitar seu corpo é não usar nele nada que lhe possa prejudicar, no vestuário, como na alimentação. Maravilha, parabéns àqueles que forem plenamente felizes e realizados seguindo tais preceitos; muita saúde e vida longa! Mas, não serão também naturistas aqueles que descobrirem que o prazer não é um pecado, mas um dom, apesar de ter seu custo? Não serão também naturistas aqueles que apenas agirem com naturalidade, seguindo seus impulsos apoiados no corrimão da consciência civil e ecológica?
Fique indignado com aqueles que preferem falar mal das atitudes espontâneas, livres e não corruptoras dos outros, por medo de apenas ser o que gostariam de ser. E mesmo o meio naturista anda tão cheio disso, e é tão triste, dá um dó dessas pessoas débeis, incapazes de serem felizes. Revolte-se, sua revolução não implica em pegar em armas, nem mesmo lutar; basta não cair neste lugar comum.
Não precisamos viver nus para sermos naturistas, ninguém precisa, basta não ter motivos para se envergonhar não só de seu corpo, mas também e principalmente de sua alma, sua personalidade. Não precisamos todos ser iguais para nos aceitarmos; as diferenças é que vão acrescentar, assim poderemos debater, discutir, crescer e amar.
É por isso que amo a todos vocês. É, você também. Não pense que eu possa ter algum motivo para não amá-lo, pense apenas na montanha de motivos que eu tenho para amá-lo. Mas fique indignado com quem pensar o contrário, apesar de amá-lo e respeitá-lo como semelhante seu, com tantos medos quanto você, talvez mais, talvez menos.
E não se esqueça de se olhar nos olhos no espelho todas as manhãs, nu na intimidade de seu banheiro; sua conduta naturista deve começar por aí, não tendo vergonha de si mesmo, ainda que esteja indignado. Com toda a dignidade.
Naturalmente indignado.

sábado, 12 de novembro de 2011

TUDO O QUE VOCÊ PRECISA QUE ELE SAIBA PARA SE TORNAR O HOMEM DE SEUS SONHOS

como é fácil ser feliz...
A cópia digital deste livro está custando promocionalmente R$ 10,00.

LEIA UMA AMOSTRA AQUI:

© 2010 – Roberto Marques Soares
Todos os direitos reservados.
(71) 9960 9474
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Capa, diagramação e ilustrações:
Roberto Marques Soares
Revisão:
Sérgio de Senna
Maria Hedonéia S. Bonafé
Soares, Roberto M., 1952
Tudo o que você precisa que ele saiba, para se tornar o homem de seus sonhos – Como é fácil ser feliz / Roberto Marques Soares – Salvador, 2008
. –(Tudo o que você precisa que ele saiba, para se tornar o homem de seus sonhos; v.1)
1. Auto-conhecimento. 2. Sensualidade. 3. Educação Sexual. I. Título.



DEDICATÓRIA
Dedico este livro a três mulheres incríveis:
Minha mãe, dona Amélia, que viveu por cinquenta anos um casamento conturbado e difícil com um homem de caráter, honorável causídico, porém perfeito troglodita na arte de amar.
Minha filha, Renata, que teve a sorte de encontrar em seu Renato um parceiro sábio, que lhe dá valor e sabe demonstrá-lo com habilidade, construindo juntos uma relação feliz, que me trouxe Katharina e Mariana, as minhas netinhas.
Minha amiga Nelma Penteado, a mulher mais sábia do universo, grande escritora e professora nas artes do amor, que sabe como ninguém fazer seu marido feliz por fazê-la feliz e, mesmo à distância, deu-me inestimável apoio e incentivo numa das fases mais difíceis de minha vida. Muitíssimo obrigado, Nelma.

AGRADECIMENTOS
Aos maravilhosos amigos
Prof’s. Sérgio de Senna e Odívia Barros, de Salvador,
pelo apoio, incentivo e paciência,
além da revisão do texto;
À incrível amiga
Profª. Hedonéia S. Bonafé, de Campinas,
pela paciência e revisão do texto;
À mui leal amiga
Catarine Hage, também de Salvador,
por todo o apoio, incentivo e paciência.

PREFÁCIO DE UMA MULHER FELIZ
Quando eu e meu marido Cássio reencontramos Roberto num jantar na casa de amigos comuns, três meses atrás, depois de quase dois anos sem nos vermos, ele nos contou que estava terminando este livro e que iria iniciar, com ele, uma série de palestras para o público feminino, visando subsidiar minhas belas congêneres com argumentos e dicas para transformarem suas feras em amorosos companheiros.
Ficamos logo encantados com a ideia e eu disse a ele que fazia questão de ver incluído nele meu depoimento. Estou muito orgulhosa por minha proposta ter sido aceita e certa de que minhas palavras servirão de incentivo a mulheres que vivem relações infelizes, sem saber que com um pouquinho de sabedoria e boa vontade, podem ser felizes e conviver com harmonia, alegria e, porque não dizer, tesão.
Eu estava casada havia nove anos com Cássio, quando conheci Roberto numa feira de ecoturismo no Centro de Convenções da Bahia, aqui em Salvador, em meados do ano 2000.
Meu casamento era um desastre quase total. Eu chorava muito, sozinha, todos os dias. Acreditava que já não havia muitas chances de mantermos a união, da forma como íamos. Tínhamos nos conhecido no cursinho pré-vestibular, em 1987, foi uma paixão avassaladora. Nos apoiávamos nos estudos, namorávamos muito, vivíamos juntos para cima e para baixo.
Eu não tinha muita experiência sexual, achava o máximo a maneira como Cássio me tratava e estava certa de que ele era o homem de minha vida.
Nos casamos em 1991, Cássio já estava empregado com um razoável salário e nossos pais entraram com mesadas até que estivéssemos formados e podendo nos sustentar sozinhos.
Durante os dois primeiros anos, posso dizer que nossa alegria juntos ainda era a mesma dos tempos de namoro, mas, depois disso, a sensação era de brasas se apagando aos poucos. Por volta de 1999, já parecíamos dois estranhos coabitando por obrigação, talvez necessidade, sei lá.
Eu prestava serviços para uma ONG que atua em causas ecológicas e participei da feira no centro de convenções. Lá havia um estande que despertava especial interesse nos visitantes. Era de uma agência de viagens que promovia pacotes receptivos para a localidade de Massarandupió, na Linha Verde, litoral norte de nosso estado, onde a prefeitura local mantém uma reserva naturista de dois quilômetros na praia.
Roberto era co-administrador desta reserva. Ele também mantinha lá uma barraca de petiscos e bebidas, onde preparava, entre outras batidas porretas, a mais divina piña colada que já tomei. Além disso, ele é pintor corporal premiado e reconhecido internacionalmente, um tipo de arte que usa a pele como tela – tipo a globeleza da TV.
Durante as quatro noites em que durou o evento, Roberto fazia suas pinturas sobre os corpos nus de duas modelos, causando grande furor e sucesso. Repórteres e câmeras os assediavam e o público aceitava a nudez das moças com razoável civilidade, não vi nenhuma reação negativa. Na terceira noite, fascinada pela beleza dos trabalhos, me aproximei dele para perguntar sobre as tintas. Ele foi muito gentil e solícito, fui também perguntando sobre o naturismo e, quando vi, já éramos amigos.
Na noite seguinte, quando me dei conta, já estava contando sobre os dissabores de meu casamento. Não entendia bem porque o fazia, mas ele me fez sentir confiança, passava uma serenidade e sabedoria que me deixou à vontade. Contei que amava meu marido, mas sentia que não havia muitas probabilidades do casamento seguir adiante.
Roberto me deu muitos conselhos, me fez reconhecer meus próprios erros e, melhor ainda, ajudou-me a listar as atitudes que eu gostaria que Cássio tivesse para recuperarmos a alegria em nossa relação. Adorei, senti renascerem minhas esperanças. Depois, aconselhou-me a, bem de mansinho, “comendo o mingau pelas bordas” – como ele mesmo disse, buscar um diálogo com Cássio, para debatermos sobre o tema.
Amadureci as ideias e consegui convencer meu marido a conversarmos. Aos poucos, com certa dificuldade, ele foi reconhecendo que tínhamos nos descuidado de nossa relação. Que tínhamos deixado de regar as flores de nosso amor. Foi tiro e queda. Voltamos a sair para jantares a dois, para dançar, para a praia. O tesão voltou, a alegria se restabeleceu, pra nunca mais se acabar.
Neste ponto, senti que era o momento de contar a ele sobre meu “terapeuta”, queria que Cássio também o conhecesse, tinha vontade de agradecer. Falei também sobre a praia de naturismo, tive coragem de confessar que gostaria de experimentar. Aí foi a vez dele me surpreender. Cássio ficou alucinado, quis ir até lá no fim de semana seguinte e foi muito bom.
Confesso que no início pintou um aperreio danado. Na hora de tirar o biquíni, minhas pernas tremeram, gelei, devo ter ficado mais branca que uma vela. Dez minutos depois, nem eu, nem Cássio, queríamos nos vestir nunca mais. Fizemos muitos amigos lá, nos tornamos “habitués”.
Nestes anos, convivendo com Roberto lá na praia, conhecemos vários casais que ele ajudou a se redescobrirem. Infelizmente, para os frequentadores de lá, mas não para todo o restante de nós viventes, há dois anos ele deixou a praia para dedicar-se inteiramente a este trabalho como consultor em comportamento afetivo.
Agora, é sua vez amiga, de voltar a ser feliz e não deixar mais a alegria sair de sua vida. Faça também sua auto-análise com a ajuda das dicas deste mestre; liste suas carências, depois, com jeitinho, convença seu amado a ler este livro e esforçar-se para reacender a paixão.
Mas não vá desistir fácil da luta, que certamente será bem árdua, porque os homens têm uma resistência imensa a mudanças e, principalmente, não gostam de admitir erros.
Boa sorte!
Marília



COMO SER FELIZ COM SUA COMPANHEIRA

introdução
Você, meu amigo, já deve ter se questionado alguma vez sobre a razão pela qual era doido por aquela garota, fazia qualquer coisa para que ela o notasse e admirasse; conseguiu, namoraram, apaixonaram-se, casaram ou foram morar juntos; mas, após alguns anos, todo o encanto se quebrou, vieram as brigas, a monotonia, a incompreensão.
Hoje você fica maluco quando vê uma garota qualquer passando na rua rebolando o traseiro; mas olha para sua companheira como se visse uma baranga. Chega em casa e invariavelmente encontra encrenca, problemas trazidos a seu conhecimento por uma mulher ranzinza, mal vestida, de cabelos desgrenhados e unhas maltratadas, cheirando a gordura, cebola ou água sanitária.
Pior ainda (será possível?), se você passa os dias coçando a testa, examinando-a no espelho, imaginando se sua mulher anda tão bem arrumadinha e produzida é para encantar aos outros, se ela pode estar tendo um caso, se é exibicionista, sedutora, uma diaba filha da mãe, que não é digna de você. 

CONTINUA... 
Para ler este livro completo:

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Roberto Marques Soares
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LEIA AQUI ALGUNS TRECHOS DO RESTANTE DO LIVRO: 


... Lembre-se, você a admirou tanto que a desejou, quis compartilhar sua vida com ela. Se não foi cego, se não se precipitou na avaliação dela como futura companheira, se não sofreu uma decepção violenta por ela ter sido boa atriz, tendo mantido uma boa encenação até chegar ao casamento, então alguma coisa não se encaixa, algo aconteceu e pode ter sido em você.
Pense nela, pense nas coisas que o atraíram mais, na beleza, na altivez, na determinação, na inteligência, na firmeza de caráter, na obstinação, na sensatez, na coerência, na disposição, na cama. Ah, sim, na cama. Lembre-se de como desvelou seu corpo, da vivência toda daquele momento, da sensação de penetrá-la pela primeira vez, dos primeiros orgasmos, dela e seus. 

... Uma amiga a aconselhou a voltar a cuidar-se melhor, convenceu-a a frequentar o salão de beleza e a vestir-se com mais esmero. Não deu outra, na rua, com Luís andando à sua frente, passou a notar os olhares, as piscadelas, a malícia das sutis abordagens dos outros homens por quem passava.
Começou a pensar muito naquilo e acabou concluindo que o marido não a amava mais, que não se interessava, que nem fazia por merecer transar com ela à noite. Não demorou muito até que um gavião insistente conseguisse quebrar as defesas da presa e a abatesse com tanta avidez, que Flávia não quis mais parar de ser abatida pelos predadores de plantão.

...  Jaime, primo de Orlando, meio bronco, era casado havia alguns anos com uma médica, Priscilla, que além de cientista muito dedicada, é mulher dotada de belíssimos atributos físicos. No princípio, ela vinha contar-lhe com orgulho sobre suas descobertas e êxitos, mas ele mal lhe dedicava um simples “parabéns” e mudava de assunto, ou encerrava a conversa para assistir ao telejornal.
Aos poucos, ela foi deixando de lhe falar sobre sua vida profissional. Ao contrário de seu marido, um médico que trabalhava em sua equipe elogiava e festejava cada situação positiva experimentada pela colega, que foi se acostumando com isto e logo estava aceitando seus convites para celebrações especiais como jantares em restaurantes charmosos e, mais tarde, motéis. Menos mal, para Jaime, que Priscilla pediu a separação logo a seguir.

... Quando Elisa ia se inscrever para o concurso, as brigas começaram; ele não aceitava que ela quisesse disputar um emprego que a levasse à possibilidade de mudar-se de estado ou até de país, ainda mais com possibilidade de salário bem superior ao dele. Insistia com ela que ele próprio iria retomar os estudos para conseguir emprego melhor; que ela deveria procurar emprego num escritório de advocacia local, esquecer o Itamaraty. Foi um inferno, e ele acabou vencendo, tal a carga de chantagem emocional que engendrou; insinuou insistentemente que ela não o amava, e que por esta razão queria um emprego fora.
Depois de algum tempo, ela realmente conseguiu trabalho num escritório de advocacia, igualmente mal remunerado; ele não voltou a estudar e até hoje vivem com dificuldades. Tempos depois, segundo seus amigos, era patente o aspecto de frustração na expressão de Elisa, e a infelicidade do casal.

... Camila entrou em pânico, aceitar o convite para filmar significaria muito para sua carreira, o filme já tinha distribuição garantida em muitos países, era uma produção caríssima, que seria muito divulgada e respeitada. O papel daria ainda mais versatilidade a seu perfil de atriz, ampliando seus horizontes. E ela não poderia deixar de pensar também no cachê, bastante alto.
Mas aceitá-lo seria uma possibilidade de problemas para sua relação com o marido. Ele poderia sofrer de ciúmes, ou julgar-se humilhado pela exposição pública das cenas. Poucos homens poderiam alcançar tamanho desprendimento. Camila sabia que Felipe tinha dificuldades para assistir até às cenas românticas dela nas novelas da TV, mas reconhecia que ele a incentivava apesar disto, e sempre fora grata.
Decidiu acalmar-se e reunir-se com ele para expor a situação. Felipe respirou fundo ao final da exposição. Silenciosamente contou até mil. Quando tinha certeza de estar com o controle de toda a sua estrutura emocional, falou sobre sua confiança nela, sobre o respeito que nutria por sua carreira e na importância que reconhecia na possibilidade daquele filme para esta carreira. Disse ainda que as cenas de nudez e sexo certamente seriam tão difíceis para ele assistir, quanto para ela fazer; que por esta razão, ela deveria pensar apenas nela mesma para tomar sua decisão, e que, no caso de aceitar, ele se sentiria orgulhoso.
 ... É, meu amigo, sexo faz parte de sua relação com ela, e vocês não podem se esquecer disto. Mas, será que você está sabendo fazer uso desta prerrogativa? Ninguém quer ser usado; ninguém aceita ser apenas um instrumento de prazer para outra pessoa satisfazer-se; ninguém se presta a ser um objeto disponível, para ser simplesmente usado a hora que desejar, depois descartado. Ela não é sua propriedade, você não pode julgar-se no direito de usá-la sexualmente quando quiser, nem deixar de estar atento às necessidades dela.



... Dedique-se a dar-lhe prazer, estude seus pontos erógenos e explore-os, não se apresse, aqueça-a muito antes de penetrá-la. Quando, por exemplo, a penetração for se dar na posição do franguinho assado, no momento em que ela espera por ela, apenas passe o prepúcio de cima para baixo e de baixo para cima sobre toda a região, incluindo desde o ânus até o clitóris, massageando este último com ele. Depois, ela vai estar implorando para ser penetrada, mas ao invés disso aplique-lhe gostosa surra, com todo o pênis bem duro, sobre a mesma área. Sua parceira vai chorar, implorar a penetração, aí ela estará pronta para o ato, e você para garantir sua posição de macho absoluto da fêmea que ama.


... Marina, uma jovem belíssima, tinha uma fantasia que a atormentava, mas não tinha coragem de confessá-la ao marido. Excitava-se muito com a ideia de poder estar sendo observada enquanto transava; tanto, que costumava perder muito de sua excitação quando o marido certificava-se de fechar as cortinas antes de irem para a cama. A coisa tornou-se mesmo problemática quando ele, supondo que a mulher tivesse algum tipo de frigidez com ele, passou a procurar prazer em outras, criando um clima que por pouco não terminou em divórcio.


... A esposa dele não trabalhava fora, cuidava da casa e dos filhos obedientemente. Um dia, o marido aventureiro saía de uma suíte de motel, no próprio bairro onde morava, quando, ao parar atrás de um carro com outro casal que aguardava a liberação junto à recepção, distinguiu perfeitamente a esposa no assento do carona, ajeitando os cabelos no espelho do quebra-sol. Alucinado, saiu do carro, foi até lá e se pôs a chutar e socar a porta e o pára-brisa do carro aos berros. A garota que estava com ele, sem entender nada, acudiu também, tentando contê-lo. Foi um fuzuê. Até a polícia foi chamada; escândalo no bairro suburbano.


... A tragédia amorosa de Marcelo poderia ter sido evitada, com informação e diálogo, além de um firme propósito de apoio e compreensão por parte do homem e de abertura sincera por parte da mulher. Não acredito que muitos homens se negariam a compreender e apoiar sua mulher, caso ela o chamasse para um diálogo e discussão sobre seu problema com a TPM. Como elas têm quase sempre algum resquício de vergonha de abordar estes temas, tome a iniciativa você mesmo, mas tome o cuidado de fazê-lo mais ou menos uns cinco dias depois da menstruação, para não levar um cruzado de direita no queixo.


... Horácio não pensava assim; impunha decisões à mulher, Cláudia, sobre qualquer tema, desde o destino de um final de semana até a cor da próxima pintura da sala de estar. Também se exasperava com ela a qualquer momento em que a considerava errada; julgava e a condenava a aturar sua zanga.
Ai dela se ousasse discordar de qualquer coisa que ele determinasse; não há comprovação, mas acredita-se que até ameaçava espancá-la. Era desagradável para os amigos estar na companhia do casal, os destemperos dele eram constantes e agressivos demais. Acabavam todos apiedados dela, ninguém ousava aconselhá-la por temor às reações dele, caso ela se rebelasse.


... Maria Luísa gostava muito de seu marido, Péricles, mas não com o mesmo entusiasmo de quando haviam se conhecido e namorado, anos antes. Surpreendia-se constantemente com suas atitudes e invariavelmente pagava o pato, sendo obrigada a suportar seu imenso mau humor. Uma vez, teve a ideia de preparar-lhe um belo jantar exótico e romântico para tentar criar um clima melhor entre os dois. Pesquisou na internet até escolher o cardápio e onde encontrar os ingredientes, preparou cada detalhe com esmero, teve todos os cuidados para não errar na execução das receitas.
Na noite da sexta-feira que escolheu para a surpresa, arrumou a mesa com o que dispunha de melhor, acendeu velas em castiçais, escolheu a música, vestiu-se como se fosse a uma festa, aromatizou o ambiente.
Péricles chegou mais tarde do que o normal, mas as velas ainda iam pela metade. Para começar, não percebeu, ou não elogiou, e nem sequer mencionou a produção pessoal de Maria Luísa.
Quando deparou com a mesa posta, a primeira coisa que fez foi reclamar do aroma no ambiente. Depois, sorriu e comentou alguma coisa sobre a arrumação, que poderia até ser tomada como um elogio, vinda dele.
Na hora do prato principal, um faisão com castanhas, o tempo fechou. Péricles começou por reclamar do dinheiro que ela teria despendido com toda aquela “besteira”, em que se incluía o fino vinho escolhido, e completou afirmando que teria preferido uma peixada.
Depois de regalar-se até a sobremesa, tomou Maria Luísa pelo pulso e puxou-a para o quarto, onde a mandou despir-se dizendo: “P’ra fazer um jantarzinho como aquele é porque a minha mulherzinha ‘tá querendo uma boa pirocada, tira logo esta roupa aí, que já vou te dar!”


... Sílvia explicou que, logo que percebera o assédio, tentara fazer com que o colega desistisse de ir adiante, apenas adotando uma postura mais austera em relação a ele. Contou que isso não surtira efeito, que ele prosseguira e passara inclusive a ser mais direto, escrevendo-lhe uma primeira mensagem. Nesse momento, ela decidira abordá-lo e dizer abertamente que o apreciava como colega, que o achava mesmo um homem interessante, mas que era muito feliz com o marido e que não tinha o menor interesse em viver aventuras.
Renato perguntou então se ele acatara sua colocação. Ele procurava manter, o tempo todo, uma atitude imparcial e serena, embora estivesse em chamas por dentro. Sílvia respondeu que não. Contou que o intruso passou a insistir ainda mais, que se confessou apaixonado. Renato perguntou se ela gostaria que ele a defendesse, se desejava que ele procurasse o colega para falar-lhe diretamente. Sílvia declinou e emudeceu por alguns instantes. Conhecendo a mulher, percebeu que havia algo que ela queria dizer, mas não encontrava coragem. Ele respirou fundo, pediu a seu anjo da guarda que o ajudasse a permanecer sob controle, depois perguntou se ela estava se sentindo envolvida pelo colega.

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

LISTA DE GRATIDÃO

Quero agradecer aqui, de maneira oficial, às pessoas que me deram apoio e força sempre, ou em momentos decisivos.
Como crio esta lista quando estou por completar 58 anos de idade, parece óbvio que terei me esquecido de alguns nomes e situações, que vou buscar atualizar sempre, mas que estão com certeza gravados em meu coração.
Meus pais, Hélio e Amélia – Por trazer-me ao mundo e ensinar-me a ser um indivíduo ético. Por todo o amor e apoio que me dedicaram. Pelo caráter que tenho.
Meus tios Zilah, Cláudio, Maria e Ripoll, entre os demais – Por todo o conjunto da obra, amor, carinho, paciência e ensinamentos.
Meu primeiro chefe na Petrobrás, quase 38 anos atrás, José Deodoro Florambel – Por acreditar em mim, incentivar a carreira e ceder seu apartamento em Miguel Pereira, RJ, para minha primeira lua-de-mel.
Meu grande amigo Carlos Eduardo Labadie – Por todos os longos anos de parceria, com diversão, luta e até momentos tristes.
Minha grande amiga Eleide Menezes – Pela amizade, paciência, dedicação e companheirismo, através de tantos anos.
Minha irmã mais velha e seu marido – Por serem praticamente os substitutos de meus pais. Pela imensa paciência, amor e dedicação. Por tantas vezes que seguraram a minha mão para “atravessar a rua”.
Minha irmã Ieda e seu marido, Jairo Bratkowski – Pelo imenso volume de amor, carinho, apoio e dedicação recebidos através do tempo.
Minhas outras manas, Isabel, Ive e Inês e o manão Ricardo – Por todo o amor e carinho com que sempre me trataram.
Meus grandes amigos Odívia Barros e Sérgio de Senna – Por tudo. E este tudo é mesmo muito. Por me absorverem em sua família. Por serem meus irmãos.
Minha amiga Catarine Hage – Por tanta amizade, apoio e confiança.
Minha amiga Karine Dantas – Por tanta amizade, apoio e paciência.
Meus amigos Marcos Mello e Jôsy Simões – Por tanta amizade, carinho, confiança e companheirismo.
Minha amiga Dilma Alves – Pelo companheirismo, coragem e parceria, com carinho e confiança.
Minha amiga Teresa Abranches – Por uma sólida amizade começada há 30 anos.
Minha primeira namorada Maria Alice Beutler Lessa – Nosso namoro era proibido pela mãe dela, mas perseverou. Nossos caminhos se distanciaram por longos anos, mas a amizade não morreu.
Minha amiga Maria Hedonéia Bonafé – Pela paciência, amizade e apoio incomensuráveis.

terça-feira, 29 de junho de 2010

O GOLPE




Fazia muito frio naquela madrugada. Paulo não conseguia reconciliar o sono interrompido pelo arranhar das unhas dos camundongos sobre o forro plástico do quarto. Já tinha levantado com dificuldade do colchão, arrumado com esmero diretamente sobre o piso cerâmico, para ir ao banheiro urinar. Voltou para o leito, mas o sono não vinha. Doía tudo na alma. Preocupava-se com as contas a pagar, como dos dois cartões de crédito dos quais vinha se valendo para empurrar os problemas para mais adiante. Já tinham se passado cinco meses desde que chegara àquela pequena cidade para tentar trabalhar como professor de Inglês, língua que dominava e que praticara por muitos anos de viagens internacionais, num tempo em que vivia bem, sem grandes preocupações, no Rio de Janeiro.
Na cabeça, um grande sentimento de culpa por estar naquela situação tão delicada. Sabia que fizera as escolhas erradas e tinha sempre agido como a cigarra, da fábula de La Fontaine, ao supor que sua fonte de renda como guia turístico internacional nunca se esgotaria. Mas se esgotara. As operadoras turísticas preferiram terceirizar os receptivos locais e usar estagiários para acompanhar os grupos, reduzindo os custos das viagens e o preço final aos viajantes. Sem profissão definida, sem curso superior e com a idade avançando rápido para perto dos sessenta, o desemprego foi roendo tudo o que lhe havia restado das parcas economias.
Divorciado havia muitos anos, tendo apenas uma filha que era criada pela mãe, no Rio, conhecera uma catarinense a bordo de um vôo, quando voltava de uma viagem de trabalho a Nova York. Estava bem, tinha decidido morar em Porto Alegre para ficar mais perto dos pais, na reta final de suas vidas, uma vez que a profissão de guia internacional lhe permitia morar onde quisesse. Mas o horizonte não era de calmarias, havia tempestades se aproximando de sua vida, com consequências pesadas. Apaixonou-se perdidamente. A linda loura de olhos azuis o cativou. Como era louco pelas praias nordestinas, tinha se sentido atraído por uma praia pouco explorada no litoral potiguar. Casaram-se e foram de mudança morar naquele paraíso.
Compraram um grande terreno cheio de árvores frutíferas e construíram uma casa espaçosa para morar no pequeno povoado próximo à praia. Compraram uma concessão e construíram também um quiosque bar e restaurante de praia, para trabalharem juntos quando não estivesse em viagens. Paulo se sentia no nirvana. Casado com a bela mulher, morando num lugar encantado, vivendo na praia o tempo inteiro e cumprindo sua escala de guia internacional. Nada parecia faltar no que lhe parecia uma sólida estrutura. Mas as tempestades só estavam se armando. Em 2001, enquanto estava no Canadá, uma forte ressaca levou todo o quiosque, com tudo o que havia nele. Paulo não percebeu nisso o sinal do desastre maior, acreditou tratar-se de uma instabilidade passageira e investiu pesado na construção de um novo, maior e mais bem equipado quiosque.
Quando a construção estava pronta para a reinauguração, veio a carga principal da borrasca, a operadora turística para quem trabalhara por tantos anos fechou as portas da noite para o dia numa escandalosa falência noticiada no Jornal Nacional. Sua fonte de recursos se esgotara. O quiosque não faturava o suficiente sequer para pagar seus custos. Aos poucos, foram comendo tudo o que tinham guardado. Logo, Paulo descobriu que sua musa inspiradora decidira vingar-se pelo fracasso financeiro de uma forma bastante peculiar, traindo-o com alguns homens que tivessem em comum o fato de serem conhecidos do marido, humilhando-o até às raízes de sua alma.
Novo divórcio, mais uma vez Paulo deixava para trás tudo o que construíra. Sobreviveu com biscates por alguns anos. Deu aulas de Inglês, tentou um site de publicidade na rede, conseguiu trabalho numa grande companhia aérea, por indicação de uma boa amiga, mas foi despedido antes de completar o período de experiência. A auto-estima cada vez mais baixa, a idade avançando implacável. Contou com a ajuda de amigos fiéis, que o abrigaram, mas tinha que reagir, encontrar uma saída. Pensou na filha, que morava em Curitiba com o marido e suas duas pequenas filhas. Ela o recebeu por uns meses, mas fechou questão em que ele achasse uma saída urgente. A saída não apareceu e a filha o forçou a sair e virar-se sozinho. Foi quando teve a ideia de ir morar naquela pequena cidade, não muito distante de lá, para poder rever a filha e as netas quando pudesse, onde poderia haver mercado para trabalhar como professor de Inglês.
Instalara-se à princípio num hotel e dava as aulas, para os poucos alunos que logrou matricular, numa escola próxima. Mas os donos da escola queriam uma participação societária em seu curso e, com sua recusa, cancelaram o uso da sala de aulas. Paulo conseguiu alugar a casa simples, onde instalou-se com o nada que possuía e seguiu dando as aulas e tentando obter novos alunos. Parentes e amigos distantes, além de uma família local que se tornou amiga, ajudaram como puderam. Surgiram colchão, roupa de cama e alguns móveis emprestados. Uma de suas irmãs veio com o marido, de São Paulo, trazendo um razoável enxoval para guarnecer a casa. Mas novos alunos não apareceram.
Naquela madrugada de inverno, Paulo sabia que por um mês, talvez dois, conseguiria manter-se aos trancos e barrancos com a ajuda dos cartões de crédito, mas o caos estava próximo e não conseguia ver nenhuma luz no fim do túnel. Sem namorada, sem ter sequer com quem conversar sobre os problemas, sentindo dores da artrite nos dois cotovelos, parecia estar em queda livre num precipício sem fundo. Era assim que se sentia, enquanto os camundongos se refestelavam sobre o forro do quarto e o sono não voltava.
Quando a claridade do dia começou a penetrar pela janela basculante do quarto e os roedores já haviam saído, o silêncio envolvia o homem que mudava de posição a cada cinco minutos, quando ele teve uma ideia que prendeu sua atenção. Pensou:
“- Se eu cometesse um crime, um crime pesado... Não, nada que colocasse a integridade física de alguém em risco. Um golpe, um grande golpe, um golpe milionário, que fosse descoberto, eu seria preso. Na prisão teria com quem conversar, teria o que comer e ninguém me cobraria aluguel! Boa ideia! Um crime. Preciso bolar um crime que seja grande, mas que eu seja descoberto logo e preso.”
Paulo levantou-se animado, correu para um banho quente, vestiu-se e tomou uma caneca de leite com chocolate, comeu alguns biscoitos. Em sua cabeça, somente um pensamento, tinha que planejar um grande crime. Mas como? Que golpe poderia armar? Assalto? Nem pensar, não seria capaz de tomar o que não lhe pertencesse prejudicando a outra pessoa, e num assalto poderia haver reação, violência. Tinha que ser alguma coisa ligada a um grande desfalque. Mas como dar um desfalque se nem sequer um emprego tinha? Estava decidido a encontrar o plano certo, e teria que ser dinheiro de uma empresa grande, algo que o seguro cobrisse, que não causasse mal a ninguém diretamente.
Sentou-se à mesa com um caderno e caneta, rabiscava sobre as folhas, desenhava pequenos objetos, mas o plano mirabolante não surgia. Decidiu sair às ruas, andar a esmo, buscar alguma coisa onde não imaginava. Foi quando ajudava uma senhora a atravessar a rua que viu a placa:
“EMPRÉSTIMOS SEM BUROCRACIA – SEU IMÓVEL COMO GARANTIA”
Era uma pequena loja, aparentemente nova, pois ele não se lembrava de tê-la visto antes. Havia diversos cartazes que anunciavam empréstimos para resolver todos os problemas dos tomadores. Aproximou-se, no interior duas pequenas mesas, onde um homem engravatado e uma garota bonita e bem vestida atendiam. Pessoas esperavam num sofá. Leu melhor os cartazes. Era alguma destas financeiras agiotas que emprestam dinheiro a aposentados. Os cartazes diziam que aceitavam imóveis como garantia de pagamento e aprovavam empréstimos de até um terço do valor do imóvel. A mente de Paulo se iluminou, era isso! Dar um golpe numa empresa de agiotagem era mais que perfeito. Afinal, aquelas empresas se aproveitavam da situação difícil das pessoas para faturar uma enormidade em juros, ele não se importaria em causar-lhes um prejuízo, que depois ainda seria ressarcido, quando fosse preso.
Correu para casa e alinhavou o plano em detalhes. Ia falsificar documentos de uma fazenda de produção de fumo, grande o suficiente para conseguir a aprovação de um empréstimo de um milhão de Reais. Depois, a financeira se daria conta da fraude e o denunciaria à polícia. Era o plano que precisava. Pensou em tudo o que precisaria fazer. Tinha estado no cartório local semanas antes, providenciando o reconhecimento de firma num atestado de residência para que pudesse transferir seu título de eleitor. A funcionária do cartório fora simpática e Paulo sugeriu-lhe que fizesse o curso de Inglês. Arrumou-se com cuidado, usou perfume e saiu para o cartório. A moça estava lá, não havia movimento.
Paulo puxou conversa, contou que uma família conhecida estava negociando uma fazenda de fumo e que ele gostaria de conhecer toda a documentação necessária, para poder apoiá-los e não permitir que fossem enganados no negócio. Disse que não entendia nada do assunto, mas que temia pelos amigos, pessoas de idade avançada, pedindo à moça que lhe mostrasse tudo o que pudesse sobre fazendas da região. Ela foi solícita, mostrou-lhe os documentos de uma fazenda que estava sendo registrada. Paulo pegou papel e caneta, fez-se de interessado e grato, anotou tudo o que viu. Perguntou sobre os carimbos e selos, quis vê-los a todos e esboçou desenhos que os reproduziam.
Durante o tempo em que trabalhara com a tentativa de implantar um site de publicidade no nordeste, aprendera muito com os rapazes que criavam as imagens nos computadores. Tinha arranjado uma cópia pirata do famoso programa de criação vetorial e por diversas vezes praticou nele, aprendendo muitos detalhes. Estava seguro que poderia reproduzir os carimbos e selos com bastante aproximação. Não podia falhar, pois sabia que se fosse pego pela tentativa de golpe, no máximo passaria algum tempo preso e acabaria solto por ser primário, causando ainda mais danos a sua vida já tão complicada.
Nas duas semanas que se seguiram trabalhou muito no computador, varando até algumas madrugadas. Praticamente só parava para dar as poucas aulas por semana a seus alunos. Fez testes de impressão sobre o verso de embalagens de plástico metalizado, como as de batatas fritas, para aproximar-se o mais possível das holografias dos selos do cartório. Quase desistiu algumas vezes, mas perseverou e conseguiu concluir a documentação. Tinha em mãos escritura, registros e licenças de uma grande fazenda de fumo nos limites do município.
Na internet, reuniu material suficiente para um anteprojeto de melhorias na produção e secagem do fumo. Baixou até fotos, que davam a ideia de serem da suposta fazenda. Iria à financeira com o anteprojeto, para justificar o pedido do empréstimo. Também através da internet, conseguiu até uma avaliação para a fazenda, que poderia ser negociada por cerca de quatro milhões de Reais, com as supostas benfeitorias.
Comprou uma boa garrafa de vinho e festejou sozinho na véspera do dia da apresentação do golpe, admirando o resultado do trabalho espalhado sobre a mesinha da sala de aulas. Estava tudo muito bom. Faltaria agora a cara de pau necessária para aplicá-lo. Temia falhar nesta hora, uma vez que nunca havia cometido um crime na vida, não costumava mentir e nunca enganara ninguém. Mas acabou convencendo-se de que lograria sucesso. Já nem sabia mais se o sucesso do golpe valeria para o objetivo de ser preso para sempre e acabar de vez com a solidão e a incapacidade em seguir se sustentando, ou se para elevar sua auto-estima por ter conseguido fazer novamente uma coisa bem feita, cuidadosamente planejada. Também nem se importava mais com isso, estava obcecado pela ideia e não recuaria mais. Pensou que talvez até sua filha se importasse e decidisse visitá-lo na prisão. Concluiu que se ela não se orgulhava dele como pai, tendo sido ao menos honesto por toda a vida, que sofresse a decepção de sabê-lo criminoso.
Acalmado pelo vinho foi deitar-se e surpreendentemente mergulhou num dos melhores sonos dos últimos meses. Dormiu direto, não escutou os camundongos, não se incomodou com o frio, nem se levantou para urinar no meio da noite.
Levantou cedo e bem animado, estava um pouco nervoso, mas confiante o bastante para acalmar-se. Tomou um longo banho, barbeou-se com cuidado e vestiu-se para parecer distinto o suficiente para o grande golpe. Depois de seu desjejum habitual checou se tinha à mão todos os documentos e saiu.
Na loja da financeira, a moça estava disponível quando ele entrou. Chamou-o a tomar o assento em frente a sua mesa e atendeu-o sorridente. Paulo preferiu disfarçar o nervosismo com uma pretensa excitação por estar tentando fechar um negócio tão vultoso para seu empreendimento. A moça não se deu conta de sua agitação e o escutou atenta. Falou que era preciso examinarem a documentação da fazenda e que no máximo em dois dias, após a assinatura dos contratos, o empréstimo poderia ser liberado sem problemas. Acrescentou que tudo parecia indicar que não haveria nenhum impedimento. De posse da documentação, levantou-se e foi falar com o homem na outra mesa, tão logo este ficou livre de seu cliente. Paulo não ouviu o que eles falaram, uma vez que ela estava de costas para ele e falava muito baixo, inclinada próxima ao homem, mas viu que o homem lhe dirigiu o olhar e sorriu amistosamente, após conferir os documentos.
De volta, ela pediu licença a Paulo para fotocopiar a documentação enquanto ele preenchia uma ficha de cadastro. Ele sentiu medo pela primeira vez, a partir das cópias o escritório poderia checar os registros no cartório e facilmente descobrir a fraude. Lembrou que a tentativa de fraude seria um delito menor e pensou nos problemas que lhe causaria. Quis levantar-se e fugir dali, mas suas pernas não obedeceram. Ao invés disso, preencheu a ficha e entregou-a assinada à moça tão logo retornou à mesa. A mente de Paulo parecia um turbilhão. A funcionária devolveu-lhe os papéis e anunciou que telefonaria tão logo fosse aprovado o empréstimo, para a assinatura dos contratos e formalidades.
Paulo quase tropeçou na saída da loja, saiu andando sem rumo e deu muitas voltas antes de voltar para casa. Pensava muito na probabilidade de arrumar uma mochila de roupas e fugir naquela tarde, não queria ser flagrado na tentativa de um golpe que agora lhe parecia tão bisonho e infantil. Era óbvio que a financeira iria checar tudo antes de liberar o empréstimo e ele seria detido pela tentativa do golpe. Entrou em casa e correu a arrumar a mochila, mas foi diminuindo o ritmo até parar totalmente. Sentiu-se ridículo, um ladrão de galinhas. Achou que bem merecia ser pego para acabar de vez com tudo. Sentou-se com a mochila no colo e acabou decidindo que esperaria o andamento das coisas, que quando a polícia batesse à sua porta resistiria à prisão e faria algo que levasse os policiais a crerem que iria pegar uma arma, acreditou que poderiam atirar nele e facilitar as coisas.
Naquela noite não dormiu, saiu, tomou várias cervejas, comprou uma garrafa de batida e fechou-se em casa para bebê-la até acabar. Pela manhã estava péssimo, não sabia o que fazer. Ora pegava a mochila e preparava-se para sair, correr para a rodoviária e comprar uma passagem para qualquer lugar bem distante, depois arrependia-se e ficava prostrado por muito tempo, até querer fugir de novo e desistir outra vez. Quando o celular tocou, custou a entender o que acontecia, mas alcançou-o a tempo de atender à ligação. A voz feminina do outro lado da linha parecia alegre. Era a moça da financeira. Depois de alguns instantes, Paulo conseguiu fixar-se no que ela dizia:
“- Senhor Paulo, o senhor está bem?”
“- Sim, eu estava um pouco distraído, mas pode falar!”
“- É sobre o seu pedido de empréstimo. A matriz confirmou que pelo valor de suas terras pode liberar um empréstimo de até um milhão e duzentos mil Reais, para serem pagos em sessenta meses com dois anos de carência. O senhor está de acordo?”
“- Um milhão e duzentos...”
“- Sim. Os contratos e formalidades estarão prontos amanhã, antes do meio dia. Tão logo o nosso escritório daqui confirme suas assinaturas a matriz libera o valor em sua conta corrente.”
“- Certo, eu passo aí então no final da manhã!”
“- Positivo. Nos vemos amanhã então, senhor Paulo. Traga toda a documentação original, por favor.”
Paulo caiu sentado num banquinho que estava próximo, com o telefone na mão. Não podia ser verdade. Na certa, era um plano para prendê-lo assim que chegasse à loja. Depois de um tempo, achou que merecia mesmo ser pego pela ingenuidade de tentar aplicar um golpe tão mal engendrado, tão infantil. Mas também havia a possibilidade de não haverem descoberto a fraude. Quem sabe? Ele tinha acreditado tanto que seria possível. Porque não? Claro, até então poderia ter corrido tudo bem porque o escritório tinha ficado apenas com cópias e podiam não ter checado com o cartório. Havia uma chance!
Mais tranquilo, Paulo tratou de alimentar-se e tentar dormir. O sono foi agitado e entrecortado. Os camundongos incomodaram, o frio incomodou. Quando dormia, os pesadelos o acordavam. Mas a noite passou e Paulo decidiu que iria à loja e prosseguiria conforme o anteriormente planejado.
Por volta da onze horas saiu de casa e foi para a lojinha da financeira. O homem engravatado o recebeu junto com a moça. Eram ambos só sorrisos e mesuras. Mostraram a Paulo uma pilha de papéis a serem assinados. Segundo eles, meras formalidades. Paulo conhecia o suficiente sobre textos jurídicos, crescera no escritório de advocacia do pai, numa leitura dinâmica sobre os papéis pode perceber que eles se pareciam mais com procurações, dando poderes de venda da fazenda aos outorgados, e recibos. Julgou tratarem-se das tais formalidades, mas desconfiou da honestidade dos papéis. Depois, riu para si pois lembrou-se que o desonesto ali era ele. O homem pediu que ele o acompanhasse ao cartório para as assinaturas. Paulo tremeu, mas logo recuperou-se quando o homem informou que não seria necessário apresentar no cartório a documentação da fazenda, uma vez que tudo o que precisavam era do reconhecimento das assinaturas dele.
Na volta ao escritório, o funcionário da financeira entregou um envelope a Paulo com a cópia do contrato de empréstimo e telefonou para um número, garantindo que já estavam todas as formalidades satisfeitas. Depois, informou a Paulo que o depósito já estaria sendo feito de imediato, por transferência bancária.
Paulo saiu da loja eufórico. O golpe estava dado, agora já podia ser pego, imaginou que não levaria muito tempo. Entrou num restaurante de comida em quilo e pediu uma cerveja enquanto servia-se para uma farta refeição. Mais tarde, passou no banco e decidiu checar sua conta. Quase perdeu a respiração quando constatou que aquele um milhão e duzentos mil Reais estavam lá, liberados. Pensou em sacar uma parte, sair da cidade, tomar um avião e ir festejar no Rio, mas lembrou-se que seu plano incluía a devolução integral do valor roubado. Chegou a pensar que isso talvez aliviasse sua pena, o que definitivamente não queria, mas sentiu-se incapaz de tocar naquele dinheiro que, a bem da verdade, não lhe pertencia.
Sucesso! Era tudo em que conseguia pensar. Seu plano fora um sucesso. Cometera o imaginado crime sem ferir ninguém. Já se imaginava sendo preso.
Mas os dias se passaram. Um, dois, quatro. Nada acontecia. Decidiu passar em frente à loja da financeira, ver se o reconheciam, o que aconteceria. A loja estava fechada.
Naquela noite, tomava uma cerveja num restaurante onde às vezes jantava, quando o Jornal Nacional anunciou o estouro de um golpe milionário que vinha sendo aplicado havia alguns meses por uma quadrilha em diversas cidades de interior de vários estados. Os criminosos, segundo a notícia, faziam-se passar por uma financeira que emprestava dinheiro contra garantias imobiliárias. Liberavam um terço do valor dos imóveis em empréstimos aos tomadores, mas os faziam assinar procurações em que uma empresa de fachada se apropriava um tempo depois dos imóveis. Quando algumas vítimas descobriram que haviam perdido seus imóveis, denunciaram o crime e a polícia rastreou a quadrilha, cujos chefes lograram fugir para o exterior. Paulo reconheceu de imediato o nome da financeira de fachada.
Cinco anos mais tarde, enquanto recebia um copo cheio de piña colada para degustar sob o guarda-sol de uma barraca de praia em Salvador, Paulo lembrou-se do ocorrido e com um largo sorriso virou-se para a bela mulher a seu lado. Disse:
“- Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão!”

domingo, 27 de junho de 2010

MASSARANDUPIÓ - LITORAL NORTE BAIANO - O PARAÍSO


Quando algum cineasta de Hollywood realizar um novo filme sobre o Paraíso, com certeza poderá escolher Massarandupió como locação. Basta subir uma das altas dunas brancas da segunda linha que fecham o local pelo oeste para descortinar um dos mais lindos cenários de marinha do planeta.

Durante o período do Império, o nobre português Garcia D'Ávila recebeu como concessão toda a faixa litorânea ao norte de Salvador, de Itapuã a Mangue Seco na divisa com o estado de Sergipe, para colonizar e desenvolver. A região, hoje denominada Área de Preservação Ambiental (APA) do Litoral Norte, dotada de rara beleza natural, fora habitada por índios de uma então já quase extinta tribo conhecida por Massarandupiós. Segundo registros encontrados no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, os Massarandupiós teriam tido sua principal taba na região onde hoje está o atual povoado de Massarandupió.

Mas não é o que contam os mais antigos moradores do povoado, como Seu Cristóvão. Segundo estes, o local teria sido denominado em virtude de ali ter havido alguns pés de maçaranduba (do tupi masarã'duwa), árvore que produz um pequeno fruto bacáceo amarelo. Em algum tempo remoto, meninos que chupavam as bagas das árvores dali teriam considerado-as piores que as de algum outro local, passando a referir-se como ao lugar da maçaranduba pior, ou por corruptela aglutinada "Massarandupió".

Talvez mesmo as duas versões venham a ser a mesma, se pensarmos que a tribo possa ter sido denominada da forma narrada acima, mas isto realmente não vai nos importar muito agora, pois nosso objetivo é compartilhar com você o que poderíamos chamar de "Massarandumió" (no palavreado nativo “mió” significa melhor e “pió” significa pior).

LOCALIZAÇÃO E ASPECTO

Massarandupió é um pequeno povoado pertencente ao Município de Entre Rios, na Bahia. Possui uma faixa litorânea de cerca de oito quilômetros de extensão total de rara e quase intocada beleza, estando no coração da ZPR (Zona de Proteção Ambiental Rigorosa) da APA (Área de Preservação Ambiental) do Litoral Norte da Bahia. O povoado em si está concentrado a cerca de quatro quilômetros de distância da rodovia Linha Verde por uma estrada de chão batido que o corta em direção à praia, outros três quilômetros mais adiante.
Existem algumas pousadas e restaurantes no povoado, além de um certo número de botecos (pequenos bares) e mercadinhos. Uma das pousadas, mais elaborada, é a Carmo, do seu Rivaldo, com vinte e dois apartamentos, excelente piscina e ótimo café da manhã. A outra, mais simples, Santo Antônio, do folclórico seu Emídio, com cerca de dez quartos e apartamentos, fornece excelente café da manhã e também abriga um dos restaurantes do povoado, o de dona Rosa. A pousada Portal da Vila possui bons apartamentos e café da manhã, e a pousada Nelissa dispõe de oito pequenos apartamentos sem café da manhã. Há também a Pousada Naturista Quinta das Flores, onde toda a nudez é permitida. O melhor restaurante é o Espaço Verde, das irmãs Therezinha e Amaíse, com ambiente muito agradável e comida excelente.
Na entrada principal da praia há algumas barracas com serviços de bar e restaurante, entre pequenas e grandes como a de Bideco, que também possui um bom barzinho no povoado (Bardeco). Estas barracas são especializadas em caranguejos e cerveja gelada. Depois, na direção sul, a meio caminho para a praia naturista há outra boa barraca, a do Patrício, que funciona diariamente o ano inteiro.
A praia de Massarandupió é quase retilínea, de areia fofa e clara, mar calmo cujas tonalidades entre o verde e o azul são belíssimas, apresentando pequenas faixas de rochas na linha de preamar em alguns pontos. Toda a extensão da praia é emoldurada por uma alta fileira de dunas cobertas por vegetação rasteira e imponentes coqueiros. Por trás destas dunas há um vale de cerca de trezentos metros de largura até uma segunda linha de dunas ainda mais altas de areias muito brancas que limitam a vegetação mais densa de mata atlântica por trás destas. O vale entre as dunas do mar e da mata é cortado por um riacho de águas ferruginosas muito quentes à tarde, totalmente livres de qualquer poluição e que forma piscinas naturais em alguns pontos.
Ao norte da entrada principal da praia, o vale ainda apresenta um manguezal intacto de cerca de dois quilômetros de extensão até a foz do riacho, que fecha Massarandupió pelo norte fazendo limites com Subaúma. Para o sul da entrada principal pela praia, depois de cerca de mil e quinhentos metros, encontra-se alguns blocos de lajes rochosas na linha de preamar que tornam a natação neste local não recomendável, mas o visual bonito e a pesca satisfatória. trezentos metros mais ao sul está o balizamento da entrada oficial da reserva naturista, com uma faixa de adaptação à nudez de duzentos metros, onde homens devem despir-se totalmente e mulheres podem permanecer em "top-less". A partir daí para o sul são mil e oitocentos metros de nudez, liberdade, fraternidade, alegria, descontração, respeito e paz.
Dentro da área naturista, há barracas com serviços de bar e restaurante, que servem petiscos inigualáveis e cerveja ou refrigerantes muito gelados.
Mas é preciso salientar que a nudez só é liberada (e até obrigatória) dentro da reserva naturista. Sob hipótese alguma é tolerada a nudez nos arredores, ou no povoado. Exceto na pousada naturista.
As mulheres nativas de Massarandupió realizam excelente trabalho de artesanato em palha colorida de piaçava, confeccionando bolsas, esteiras, chapéus, sous plats, ventarolas e outros objetos que vendem a preços pra lá de convidativos, expostos nas varandas de suas próprias casas.

COMO CHEGAR DE CARRO

Deixando Salvador para o norte passa-se pelo aeroporto internacional Dep. Luís Eduardo Magalhães onde começa a Estrada do Coco, privatizada pela CLN. Esta estrada é praticamente retilínea e pedagiada, segue por cinquenta e seis quilômetros até o acesso da famosa Praia do Forte, onde termina. Logo neste acesso prossegue outra moderna rodovia também semi retilínea rumo norte, chamada Linha Verde, com quilometragem contínua com a Estrada do Coco. Logo você vai passar o mirante, de onde se descortina lindíssima vista da costa tomando uma água de coco bem geladinha dos quiosques locais. Um pouco adiante está o acesso ao pitoresco balneário de Imbassaí, depois o acesso ao paradisíaco povoado e praia do Diogo, mais adiante a imponente entrada do complexo turístico/hoteleiro Costa do Sauípe e na travessia do rio Sauípe entra-se no município de Entre Rios. Logo após passa-se pelo acesso ao povoado de Porto de Sauípe, a seguir está um posto da Polícia Rodoviária Estadual, siga em frente e no km 88 você encontrará um pequeno núcleo urbano, com churrascaria, borracheiros, oficinas mecânicas e o posto de combustíveis Linha Verde, em cuja lanchonete come-se um excelente e inigualável pastel gigante. Duzentos metros além do posto está o trevo que dá acesso a Massarandupió à direita e à rodovia que leva à sede do município, à esquerda.
Saia à direita voltando em frente a umas casinhas para o sul, mas vire à esquerda logo na primeira esquina, rumo leste, prosseguindo cerca de quatro quilômetros até o povoado.

COMO CHEGAR DE ÔNIBUS

Na Estação Rodoviária de Salvador, ou na Estrada do Coco na pista sul/norte, tome ônibus da empresa Linha Verde, pedindo ao bilheteiro da estação ou ao motorista do ônibus, se o pegar no caminho, para ficar em Massarandupió, Linha Verde, km 88.
O ônibus não o trará até Massarandupió, mas até o entroncamento de acesso no km 88 da Linha Verde, de onde você poderá vir a pé (dureza sob o sol ou carregando bagagem), obter uma carona (melhor, mas às vezes pode ter que esperar muito, pois o tráfego é pequeno), ou ligar antecipadamente para uma das pousadas para marcar hora para o transfer desde a rodovia.

HISTÓRICO DA RESERVA NATURISTA

Em 1997, o aposentado baiano Miguel Vasco Calmon Gama e sua esposa Mary, proprietária de uma pequena agência de viagens especializada em organizar grupos de compras para visitas a São Paulo, Ciudad del Este e Belo Horizonte, assistiram a uma reportagem sobre a praia naturista de Tambaba (Paraíba) na televisão. Miguel interessou-se e sugeriu a montagem de um grupo para uma excursão, para passar um feriadão naquela praia. Colocaram um pequeno anúncio no jornal, mas enganaram-se ao referir-se à praia como de "Naturalismo".
O carioca aposentado pelo Banco do Brasil Antônio Ferro, residente em Lauro de Freitas (município vizinho a Salvador), leu o anúncio. Ele já tinha vivenciado o Naturismo em visita à praia do Pinho em Santa Catarina anos antes e mantinha-se relativamente bem informado sobre o movimento naturista através da revista Naturis. Decidiu imediatamente ligar para o número no anúncio e conversou com Miguel. Apresentou-se, falou de sua experiência naturista e citou o engano na chamada do anúncio. Sentiu a inexperiência de Miguel no assunto e propôs ajudá-lo no projeto da viagem.
Poucos interessados contataram a Mary Tour para reservar lugar no grupo e a viagem teve de ser cancelada. Contudo, estes poucos decidiram unir-se sob a liderança de Miguel para tentar obter uma praia para a prática do Naturismo na Bahia. Miguel e Ferro, aposentados, passaram a visitar diversos municípios litorâneos em busca do lugar ideal. Numa destas idas e vindas, pararam para um cafezinho num brique que existia no km 88 da Linha Verde. A proprietária, dona Maria, escutou a conversa dos dois enquanto lhes servia o café e pediu desculpas para interrompê-los e informar que se procuravam por uma praia para ficar pelados, havia uma parte isolada ao sul da praia regular de Massarandupió, com acesso logo à frente de seu estabelecimento, onde era sabido que alguns casais costumavam despir-se nos finais de semana para desfrutar juntamente com seus filhos e amigos. O pequeno grupo, que vinha de Salvador, fazia churrascos na praia em suas visitas e já tinha chamado a atenção dos pescadores e outros passantes ocasionais por parecerem não se importar em ter exposta sua nudez.
Os dois trataram de tomar o acesso em frente ao brique, junto ao posto de combustíveis Linha Verde, e após quatro quuilômetros passaram pelo povoado de Massarandupió, dali mais três quilômetros (tudo em estrada de chão batido) chegaram à entrada principal da praia.
Depois de saberem que aquela praia pertencia ao município de Entre Rios, rumaram para a sede do município, setenta quilômetros para o interior às margens da BR-101, para procurar o prefeito.
Quinze quilômetros ao sul do acesso a Massarandupió, pela Linha Verde, a construtora Norberto Odebrecht construía um imenso complexo hoteleiro primeiro-mundista. Por apenas quatro quilômetros o local estava fora do município de Entre Rios, pertencendo a Mata de São João. O prefeito de Entre Rios na ocasião era o Sr. Raul Malbouisson Mello, hoje já falecido, que pretendeu não deixar seu município sem algo especial que atraísse os visitantes do futuro complexo Costa do Sauípe, para ajudar a desenvolver a região. Ele também já tinha sido informado da apreensão dos nativos de Massarandupió com o grupo de gente que por lá aparecia para se desnudar na área mais deserta ao sul da praia, tinha lido e assistido muitas reportagens sobre Naturismo e concordava com os princípios deste movimento, com o qual já tinha tido alguns contatos mais próximos em viagens pelo velho continente. Homem público de visão e dotado de grande cultura, o senhor Raul idealizara a criação de uma reserva naturista a cerca de dois quilômetros ao sul da entrada principal da praia de Massarandupió. Sonhou planejar ali uma pequena vila naturista, a exemplo da já famosa Colina do Sol de Taquara, Rio Grande do Sul, mas não conhecia nenhum naturista para tocar a idéia e administrar o projeto.
A visita inesperada de Miguel e Ferro caiu para o prefeito como uma luva. Tratou de desengavetar seus planos e entregou a Miguel o comando do que viria a ser a primeira reserva naturista oficial da Bahia.
O senhor Raul assinou a primeira autorização provisória, que deveria ser renovada a cada dois meses e foi marcada a inauguração oficial para o carnaval de 1998.
A inauguração da reserva foi um sucesso, contando inclusive com reportagem no programa Fantástico, que mostrava ao Brasil que alguns baianos haviam dispensado o uso das famosas mortalhas (como se chamam as túnicas carnavalescas dos blocos de Salvador) para brincar aquele carnaval. A freqüência da praia cresceu rápido e logo havia um grande grupo de adeptos nos finais de semana.
No princípio de Fevereiro daquele ano, antes mesmo da inauguração oficial, um dos casais freqüentadores originais da praia, do grupo que já desfrutava do local muito antes da chegada de Miguel e Ferro, mandou-me um e-mail para anunciar a novidade da oficialização. Alberto e Márcia convidavam-nos, a mim e a minha ex-esposa Lurdes, para vir conhecer a mais nova praia oficial de Naturismo do Brasil. Um mês depois, outro frequentador entusiasmado também visitou meu "site" sobre Naturismo e Pintura Corporal e mandou-me o mesmo convite. Eu e Lurdes decidimos mandar uma carta ao prefeito Raul Mello, falando de nosso interesse em conhecer o local e da possibilidade de irmos viver em Massarandupió. Logo fomos colocados em contato com Miguel, que nos deu todo o apoio para que na Páscoa fôssemos visitar o Paraíso.
Voamos para lá eu, Lurdes e o filho dela, Juniclei. Não deu outra, nos encantamos tanto que a decisão de ir viver lá foi mesmo unânime da família. Miguel nos levou a uma reunião com o prefeito, onde ficamos combinados de ir de mudança em Outubro daquele ano para juntos tocar para a frente o projeto da vila naturista. Seria criada uma urbanização na área atrás das dunas, com infra-estrutura; os lotes comerciais seriam vendidos para a implantação de pousadas, restaurantes e comércio. Eu e Miguel receberíamos um lote cada para gerenciar a implantação da vila; eu e Lurdes sonhamos construir nele uma pousada.
Foi assim que no dia 6 de Outubro de 1998 chegamos de mudança à Bahia e fomos para Massarandupió. Mas logo ficamos sabendo que o projeto da vila estava por um fio para ser engavetado de vez por falta de recursos, mas também e principalmente porque a área é uma ZPR (zona de preservação ambiental rigorosa) dentro da APA (área de preservação ambiental) do Litoral Norte da Bahia. Sendo assim seria absolutamente proibida a construção de prédios habitáveis na proximidade da praia, havendo apenas a possibilidade de construção de barracas de praia, sem alvenaria.
Conseguimos então com o prefeito a concessão para construir e explorar nossa própria barraca, que seria chamada Bat Batidas. Construímos nossa casa no povoado e a barraca na reserva naturista.
O prefeito seguia insistindo com Miguel pela regularização da associação, sem sucesso, o que atrasava o repasse oficial de recursos, forçando-o a seguir utilizando seu próprio capital para ajudar a reserva. Por aquela época, nos meses de Abril e Maio de 1999, comecei a discordar profundamente com algumas atitudes de Miguel na administração da reserva naturista. Procurava-o todas as semanas para discutir tais pontos de vista, mas este saía-se sempre com evasivas e prosseguia cometendo os mesmos erros. Foi então que decidimos, eu e Lurdes, procurar o prefeito para relatar-lhe os acontecimentos. Ele aconselhou-nos a fundar uma nova associação, oficializá-la e registrá-la nas formas da lei para que ele mandasse para a câmara de vereadores o projeto de lei que tornaria a reserva naturista definitiva e a associação de utilidade pública para receber recursos oficiais.
Concordei em realizar tudo isso, mas não aceitei ser o presidente da entidade. Foi-nos aconselhado então chamar a jornalista Noêmia Alves, proprietária de um jornal de Alagoinhas, freqüentadora da reserva, defensora do Naturismo e amiga do prefeito.
Foi assim que em nossa casa no povoado foi fundada a AMANAT - Associação Massarandupiana de Naturismo, tendo como presidente tal jornalista. Logo a entidade foi considerada de utilidade pública e o prefeito fez aprovar o decreto municipal de uso naturista definitivo da praia em 28 de Julho de 1999.

LEI MUNICIPAL DA RESERVA
ESTADO DA BAHIA
SERVIÇO PÚBLICO MUNICIPAL
PREFEITURA MUNICIPAL DE ENTRE RIOS

DECRETO N.º 1.571/99

Concede autorização permanente para a prática
de Naturismo, em local que indica.

            O PREFEITO MUNICIPAL DE ENTRE RIOS, Estado da Bahia, no uso de suas atribuições legais, de conformidade com o que estabelece o artigo 48, inciso I, alínea j, combinado com o artigo 102, inciso VIII, da Lei Orgânica deste Município e,

Considerando que o Naturismo é um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, com o objetivo de favorecer o auto-respeito, o respeito mútuo e a preservação do meio ambiente;

Considerando o que faculta o decreto 7.661, de 16 de Maio de 1998 - Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, parágrafo 10;

Considerando que o Município tem condições de ser um pólo turístico nacional e internacional, pela beleza de suas praias e litoral;

Considerando que esta Prefeitura Municipal entende ser o Naturismo uma atividade benéfica à saúde mental, capaz, inclusive de favorecer iniciativa privada, incrementando o turismo e o comércio;

Considerando, ainda, que é dever constitucional incentivar e apoiar as entidades ambientalistas não governamentais constituídas na forma da lei;

DECRETA:

Art. 1º - Fica autorizada a Associação Massarandupiana de Naturismo - AMANAT, declarada de Utilidade Pública pela Lei Municipal n.º 298/99, de 05 de Julho de 1999, a desenvolver a prática de Naturismo em caráter permanente, na praia de Massarandupió, neste Município.

Parágrafo Único - Para a prática do Naturismo de que trata este artigo, fica estabelecida uma área litorânea de 2.000m (dois mil metros) de extensão, a partir da marca de 1.800m (hum mil e oitocentos metros), contados do local onde estão instaladas seis barracas de praia, seguindo a direção sul.

Art. 2º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogam-se as disposições em contrário.

Gabinete do Prefeito Municipal de Entre Rios, 28 de Julho de 1999

(assinatura)
Raul Malbouisson Mello
Prefeito Municipal

CÓDIGO DE ÉTICA NATURISTA DA PRAIA DE MASSARANDUPIÓ
AMANAT - ASSOCIAÇÃO MASSARANDUPIANA DE NATURISMO
MUNICÍPIO DE ENTRE RIOS - BAHIA

Naturismo é um estilo de vida em harmonia com a natureza, que abomina toda e qualquer forma de preconceito, caracterizado pela naturalidade e respeito plenos. O Naturismo adota a prática da nudez social e familiar, com o intuito de incentivar o auto-respeito, o respeito mútuo entre os indivíduos e com o meio ambiente.

Nós naturistas freqüentadores da praia de Massarandupió, consideramos expressamente proibido:

1. Praticar atos de caráter sexual ou obsceno nas áreas públicas, por ser a praia de convívio estritamente familiar;
2. Agir de maneira desrespeitosa ou agressiva com quem quer que seja e em qualquer situação;
3. Constranger através de situação ativa ou passiva, por gestos ou palavras, quaisquer outras pessoas na área de abrangência naturista;
4. Filmar, gravar ou fotografar por qualquer método ou distância os naturistas na área, sem seus consentimentos prévios;
5. Praticar jogos ou outras atividades que possam colocar em risco a segurança, tranqüilidade ou conforto dos freqüentadores, em áreas não demarcadas para estes fins;
6. Satisfazer necessidades fisiológicas de qualquer espécie nas áreas públicas;
7. Deixar lixo de qualquer natureza fora de receptáculos apropriados, em toda a área naturista;
8. Trazer ou permitir a entrada de animais na área naturista;
9. Retirar mudas de plantas, danificar as existentes ou causar qualquer dano ao meio ambiente na área naturista;
10. Não aderir à prática da nudez social, a menos que seja pessoa empregada da Associação ou do comércio interno (quando a serviço), funcionário de empresa jornalística participando de cobertura aprovada pela Associação, menor de quinze anos de idade acompanhado pelos pais ou responsáveis, ou ainda alguma autoridade em visita oficial;
11. Vender, portar ou fazer uso de qualquer substância que seja considerada ilegal em nosso país.

Qualquer pessoa, naturista ou não, que descumprir as normas acima expressas será passível de punição prevista no ESTATUTO SOCIAL ou no REGIMENTO INTERNO desta Entidade, além de ser imediatamente convidada a retirar-se da área naturista, se necessário com o auxílio do Poder Público.